ENCONTRANDO DARWIN (O Livro)
Explorador apoiado pela National Geographic Society, o autor atravessa a Patagônia em uma jornada que é menos sobre distância e mais sobre tempo. Entre encontros com cientistas e povos originários, o território se revela em camadas, algumas visíveis, outras acessíveis apenas a quem permanece. Longe da pressa e da ideia de conquista, esta é uma travessia de escuta e atenção, onde o essencial não se impõe: revela-se aos poucos. Um livro sobre o que só se deixa compreender quando o olhar desacelera e aceita não ter todas as respostas.
TERRA E FOGO | GALERIA
por MARCIO PIMENTA
A série Atacama foi produzida durante as gravações do filme documental Hoy’ri, de Marcio Pimenta. A partir da observação do tempo profundo, o trabalho investiga a relação entre paisagem, origem da vida e presença humana em um dos ambientes mais extremos do planeta.
Entre fotografias e cinema, a série constrói uma leitura silenciosa do deserto como arquivo — geológico, biológico e simbólico — onde cada forma, vestígio e horizonte carrega camadas de tempo que escapam à escala humana.
Em 2023, durante 40 dias, Marcio Pimenta percorreu a Patagônia seguindo, de forma simbólica, os caminhos de Charles Darwin. Foram mais de 11 mil quilômetros entre desertos, mares, geleiras e silêncios — territórios onde o tempo não passa, apenas se acumula.
A expedição, apoiada pela National Geographic Society, foi também um exercício de duração. Permanecer, observar, retornar. Entender que certos lugares não se revelam na primeira passagem — exigem tempo.
As imagens que compõem a série Encontrando Darwin nascem desse intervalo. E foi dessa mesma travessia que surgiu o livro Encontrando Darwin, seu primeiro livro literário.
Na galeria Terra e Fogo, a série reúne fotografias feitas ao longo desse percurso — imagens atravessadas pelo tempo, pela paisagem e pelo olhar de quem escolheu permanecer um pouco mais.
BIOMAS
Biomas percorre diferentes territórios do continente — do Pampa à Amazônia, da Mata Atlântica aos desertos e às extensões da Patagônia — não como um inventário de paisagens, mas como um exercício de leitura do mundo.
Nesta série, Marcio Pimenta atravessa ambientes distintos buscando aquilo que os sustenta. Cada bioma revela um modo próprio de existência: ritmos, resistências, formas de adaptação que operam em escalas que muitas vezes escapam ao olhar apressado.
Mais do que diversidade, as imagens apontam para continuidade. O que muda na superfície — clima, vegetação, luz — responde a princípios mais profundos, onde vida e território se organizam em equilíbrio instável.
A presença humana surge como parte desse sistema. Em alguns momentos, quase imperceptível; em outros, decisiva. Não como exceção, mas como força que tensiona e redefine essas paisagens.
Biomas não busca comparar nem hierarquizar. Propõe observar. Entender que cada território carrega sua própria lógica — e que atravessá-los é, também, confrontar os limites do nosso modo de ver.
Explore a série Biomas (em breve).
pisada de preto
A série Pisada de Preto é um trabalho em andamento no território do Recôncavo Baiano, na Baía de Todos os Santos, baseado na observação silenciosa do cotidiano. Em fotografias coloridas ou em preto e branco, figuras humanas atravessam paisagens, revelando a relação entre corpo, território e tempo.
Cartografia do Vento
Cartografia do Vento observa Florianópolis a partir daquilo que não se fixa. O vento, invisível, atravessa a ilha e desenha suas próprias linhas — nas dunas, na superfície do mar, na vegetação que se inclina e nas pedras que resistem.
Nesta série, Marcio Pimenta parte desse elemento instável para ler o território. As pedras, silenciosas e antigas, oferecem contraponto: onde o vento passa, elas permanecem. Entre o que se move e o que resiste, a paisagem se revela.
Mas a cartografia não é apenas natural. A presença humana também entra nesse desenho — nos caminhos abertos, na vida à beira do mar, nos gestos cotidianos que tentam organizar o imprevisível. Cultura, aqui, não é separação, mas continuidade: uma resposta às forças do lugar.
Entre mar e continente, Florianópolis surge como um espaço em constante negociação. O vento conecta, as pedras ancoram, e o humano inscreve sua passagem.
As fotografias não buscam congelar esse fluxo, mas acompanhar seus vestígios — uma cartografia feita não de limites fixos, mas de relações.
mundo em passagem
Mundo em Passagem reúne imagens feitas entre deslocamentos — fragmentos de cidades, estradas, encontros e intervalos. Fotografias que não nasceram de um único projeto, mas de uma mesma forma de estar no mundo: atento ao que surge no caminho.
Nesta série, Marcio Pimenta percorre diferentes geografias sem a intenção de esgotá-las. O olhar não busca síntese, mas presença. São cenas breves, muitas vezes silenciosas, onde o cotidiano se revela antes de ser organizado em narrativa.
Há algo de provisório em cada imagem. Pessoas que atravessam o quadro, luzes que duram instantes, gestos que não se repetem. O mundo não se oferece como permanência, mas como fluxo.
Mundo em Passagem é menos sobre lugares específicos e mais sobre o ato de atravessá-los. Uma coleção de instantes que existem entre um ponto e outro — e que, por isso mesmo, raramente são lembrados.
livros
Os livros de Marcio Pimenta não nascem como projetos isolados, mas como desdobramentos de expedições e investigações de longo prazo. Cada obra organiza, à sua maneira, um encontro com o mundo — seja através da fotografia ou da narrativa.
Entre conflito, transformação e observação, os títulos percorrem diferentes geografias e temas, mantendo uma mesma linha de interesse: compreender como o ser humano se insere, interfere e interpreta o território.
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